A relação entre a falta de manutenção de rodovias e os acidentes de trânsito

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Vemos notícias de acidentes de trânsito nos meios de comunicação todos os dias. E, apesar de parecerem mais simples e seguros, os automóveis são os principais veículos nos quais esses ocorrem. Geralmente, os condutores são apontados como principal causa dessas tragédias: seria mesmo eles? Será que um motorista deveria prever uma curva perigosa sem que haja sinalização antecedendo-a?

Muitas vezes, soluções são difíceis de ser encontradas porque não se identifica a correta procedência do problema. Acredito que esse fator está sim diretamente ligado aos acidentes, mas nem sempre é o único. Por isso, nesse artigo irei destacar o impacto que a falta de manutenção da infraestrutura e de investimentos nas rodovias traz aos acidentes.

Problemas

Você pode estar se perguntando “como que alguém consegue não prever uma curva perigosa?”. Esse questionamento vem porque a maioria da população dirige por poucas horas ao dia, o que torna mais fácil manter a constante atenção. Porém, sabe-se que 70% do transporte de cargas é feito através das rodovias, então é inevitável pensar nos profissionais que passam dias nas estradas. Depois de muito tempo fora e noites mal dormidas, é muito difícil manter a atenção, ainda mais por preferirem viajar no período da noite, onde há menos movimento. Assim, acredita-se que, principalmente para esses condutores, a estrada conservada e bem sinalizada pode ser muito eficaz para evitar acidentes.

Qualquer leitor aqui provavelmente já se deparou com um buraco no pavimento, uma curva muito acentuada ou uma falta de sinalização nas rodovias Brasil afora. Esses são alguns dos problemas que nossas estradas apresentam em decorrência da escassez de infraestrutura e manutenção. A pesquisa CNT de Rodovias, feita anualmente pela Confederação Nacional de Transportes, levanta dados como estado geral, sinalização, pavimento e geometria da via. Nos últimos anos, a CNT fez análises em cima desses seus dados de infraestrutura rodoviária e dos relatórios de acidentes da Polícia Rodoviária Federal, relacionando-os.

Segundo esse estudo, nomeado de “Acidentes Rodoviários e Infraestrutura”, em locais com placas totalmente legíveis o índice de mortes em acidentes é de 7,1%, enquanto é de 20,7% quando as estão ilegíveis: isso mostra que nesse caso os acidentes são mais graves, quase 3 vezes. Já em trechos sem placas indicativas de limite de velocidade o índice de mortes por 10km de extensão é 19,9, valor que cai para 10,2 quando há sinalização de velocidade. Também foi levantado que aproximadamente 50% dos acidentes ocorrem em trechos com problemas ou falta de pintura na faixa.

É claro que existem questões como o fator humano (condições e atenção do condutor), fator do estado do veículo, fator institucional (responsabilidade das autoescolas e Departamentos de Trânsito) e condições do tempo que podem ser decisivos na ocorrência ou não de um acidente. Mas os dados apontados nos levam a pensar que nem sempre todos os acidentes estão diretamente ligados a imprudência dos motoristas, como  geralmente costumam apontar os boletins de ocorrência. 

Impactos

Essas tragédias trazem, independente da causa, a tristeza de perder vidas e um grande impacto na saúde e no âmbito socioeconômico do país. De acordo com outro levantamento da CNT, os 67.427 acidentes rodoviários computados em 2019 custaram R$10,28 bilhões em perdas de vidas, produção e bens. Além disso, propagam mais danos ainda as estradas, requerendo mais reparos de manutenção, o que faz com que seu custo seja mais caro do que os próprios serviços básicos de infraestrutura. Ainda segundo a CNT em um estudo econômico, a estimativa é de que os acidentes de 2009 a 2019 tenham custado ao país R$156,06 bilhões, enquanto foi investido apenas R$125,42 bilhões em melhorias nestas estradas. 

Assim, percebe-se que muitos perdem com isso: as famílias e amigos das vidas que foram deixadas nas rodovias; os profissionais da saúde e da PRF, que lidam com essas emergências diariamente, atendendo as vítimas e investigando as causas; o governo, que terá mais demanda na saúde e no reparo da infraestrutura danificada, caso a estrada seja de sua responsabilidade; e, também dependendo desse caso, a concessionária e empreiteira responsáveis por administrar e executar a manutenção, respectivamente. 

Como fica a situação?

De outro lado, ainda que a qualidade da infraestrutura rodoviária hoje seja em maioria precária, percebe-se que num grande intervalo de tempo essa situação já teve uma pequena melhora e trouxe resultado. De 2009 a 2019 o percentual de rodovias com Estado Geral classificado como ótimo ou bom aumentou 16%, e o número de acidentes com vítimas no mesmo período diminuiu 8,4%. Essa informação nos leva a perceber que melhores resultados não são difíceis de ser alcançados, porém a metodologia usada hoje ainda é ineficiente. Seja por falta de investimentos ou de ferramentas, a manutenção rodoviária ainda não é prioridade no Brasil. Para reverter a situação, deveria-se pensar na digitalização dos processos que combinados, otimizados e realizados sanariam o problema. “Ainda que haja falha humana, a rodovia deve apresentar estrutura capaz de permitir que o motorista se recupere do evento e prossiga de forma segura, modificando a consequência da sua atitude ou, caso seja impossível a reversão total da situação, que ao menos ele reduza a gravidade do acidente” disse Bruno Batista, diretor-executivo da CNT. Fica aqui, então, uma inspiração para trabalharmos a fim de uma melhora mais significativa de 2019 a 2029, e assim fazer com que menos vidas sejam, injustamente, levadas.

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