Otimização de infraestrutura urbana em 5 passos

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Para entender como podemos melhorar a infraestrutura urbana, é preciso inicialmente entender os desafios do setor.

É de conhecimento popular que a infraestrutura brasileira é deficiente, porém o momento atual nos permite elencar alguns fatores que têm grande influência nesse indicador:

  • Escassez de verba: A crise que assolou o Brasil nos últimos anos afetou diretamente o investimento em infraestrutura. Isso dificulta a execução de grandes obras, deixando aos gestores o desafio de fazer muito com poucos recursos.
  • Falta de planejamento: Em contrapartida à falta de verba, o planejamento adequado é um quesito que pode priorizar investimentos, executando-os conforme o custo-benefício trazido para a população ou para seu cliente. O motivo de muitas empresas não realizarem o planejamento adequado encontra-se justamente nos próximos tópicos.
  • Falta de dados atualizados: Para qualquer planejamento bem feito, são necessários dados. Eles indicam o caminho para os gestores, as áreas de ataque e a forma de atuação. Os maiores desafios são conseguir esses dados e mantê-los atualizados, pois são coletados de forma manual na maioria dos casos atualmente.
  • Tempo hábil para planejar e executar projetos: Em geral, nossos clientes precisam de um resultado rápido. Porém a agilidade de execução e planejamento de infraestrutura estão fortemente associados ao tamanho da equipe, visto que existe pouca automação nesse processo.

Como podemos ver, isso cria um ciclo vicioso, onde cada fator está interligado, o que dificulta muito o avanço da infraestrutura brasileira. Para driblar esse ciclo, temos que encontrar uma válvula de escape e eu acredito fortemente que ela seja a inovação, a modificação de algumas partes desse processo.

Assim sendo, aqui vão os 5 passos para otimizar a sua infraestrutura urbana e, com isso, construir as cidades do amanhã.

1 – Definição de métricas

Devemos sempre iniciar nossa anáilse pela identificação do problema que queremos resolver. No caso da infraestrutura urbana, podemos citar os seguintes incômodos: congestionamentos, vias e calçadas danificadas, vazamentos, mau cheiro, entre outros.

Para favorecer um ambiente de criação, é muito válido envolver ao máximo as pessoas da sua equipe nessa etapa. Definimos em conjunto, métricas para cada problema, que direcionarão nosso escopo de projetos.

Exemplos disso são: quantas pessoas são afetadas pelo problema, quão crítico é o problema para as pessoas afetadas, quão crítico o problema é para o meio ambiente, qual é o custo para corrigir o problema, o que poderia ter sido feito para evita-lo, etc.

Esse é um trabalho extremamente importante e quanto mais métricas forem levantadas, melhor será o planejamento das suas ações.

2 – Coleta e estudo dos dados

Após definir o que iremos medir, precisamos entender o que utilizar para fazer o levantamento da forma mais rápida e barata.

Existem diversas soluções para a coleta de dados. Dentre elas o uso de pessoas verificando cada ponto da cidade e o uso de câmera e sensores capazes de realizar medições como quantidade de pessoas e de veículos, qualidade do ar, temperatura, entre outros.

O maior trade-off dessas soluções é o alto custo. No caso dos inspetores, ainda existem algumas limitações (na tarefa de contagem de veículos, congestionamentos, etc, por exemplo), além de serem muito mais lentos do que sensores automáticos. Já o uso de sensores tem um custo alto para a implementação e, por isso, são utilizados em áreas em que a ocorrência das medições é maior.

Uma estratégia com um custo benefício muito maior e que cresceu muito nos últimos anos é o Crowdsourcing. Essa técnica tem como base unir todas as possíveis formas de coleta de dados, incluindo os próprios usuários da infraestrutura. Tal união pode ser feita por meio de aplicativos, ouvidorias, além das técnicas citadas no parágrafo anterior.

Ainda é válido pensar em propostas não tradicionais de coleta de informação como:

  • As redes sociais dos munícipes;
  • Apoio de frotas de coleta de lixo, guarda municipal e transporte coletivo;
  • Câmeras de segurança da cidade;
  • Dados de centros de atendimento ao cidadão, centros de saúde básica e escolas.
  • Aplicativos mobile, como Kartado, Waze, Colab, entre outros.

O importante nessa etapa é manter uma organização e armazenar a história de todos os dados de forma digital. O uso de ferramentas e plataformas digitais nessa etapa é crucial, a agilidade e a integridade da informação reduz no mínimo 8% dos seus custos totais [1]. Além disso o tempo de coleta de dados pode ser reduzido pela metade (aumentando a produtividade de sua equipe).

3 – Planejamento

O planejamento tem como base a união da análise dos dados com a tomada de decisão correta. Os gestores devem olhar para as métricas que decidiram utilizar e para os dados coletados.

Nessa etapa os dados trazem um poder imenso. Um exemplo disso foi uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde Pablo Cerdeira coordenou uma equipe para a análise de diversos dados relativos a mobilidade da cidade [2]. Vou citar alguns dos resultados:

  • Analisando as linhas de ônibus e o número de pessoas que circulavam nessas linhas, foi possível encontrar sobreposições desnecessárias, reduzindo 78 ônibus e mantendo o mesmo serviço oferecido anteriormente.
  • Utilizando dados do Waze encontraram quanto tempo dos cidadãos do Rio era perdido em engarrafamentos. Com isso formularam uma proposta de obra, com custo de R$1.3 bilhões para o governo e retorno de investimento de R$840 milhões para os cidadãos (considerando a economia de tempo dos mesmos).
  • Utilizando dados do Waze e das ouvidorias, conseguiram ranquear os pontos de alagamento, o que agiliza muito a decisão de ações preventivas e emergenciais.

O bom planejamento é aquele que consegue provar que o investimento realmente vale a pena. O uso dos dados e da tecnologia reduz o tempo de planejamento significativamente, trazendo um resultado ainda melhor, visto que dá embasamento ao estudo. Aqui é muito interessante utilizar ferramentas de visualização dos dados, já que isso traz informações não vistas em tabelas.

4 – Execução

A execução dos projetos é uma etapa de extremo aprendizado. Você deve armazenar todas as informações que puder. Novamente as ferramentas e plataformas digitais servem para auxiliar você nesse sentido.

Obras são projetos mais delicados, e devem ser controlados com muito cuidado. Atente-se diariamente ao andamento dela e reveja os processos semanalmente. Previsão do clima e do fluxo de veículos são indicadores que devem ser acompanhados constantemente, a fim de alocar as equipes para trabalhar em áreas propícias. Outro fator importantíssimo é analisar o local da obra antes da execução em si, a fim de planejar o programa de segurança. O Google Maps pode ajudar você nessa etapa, de forma gratuita.

Para projetos mais simples, porém não menos importantes, você pode trabalhar com testes e validações simplificadas. Exemplo disso, é a reorganização de algumas linhas de ônibus, a fim de avaliar o impacto no trânsito e na satisfação de quem utiliza o transporte coletivo. Em períodos pré determinados, você pode alterar as linhas modificadas e assim validar os resultados esperados. Lembre-se de manter um período mínimo suficiente para ter um resultado coerente e não prejudicar a população.

Outro exemplo disso é o controle dinâmico dos semáforos e do sentido das vias, que pode impactar diretamente na redução do número de congestionamentos. Porém lembre-se, execute os testes com base nos dados, atualize-os com os resultados e repita o ciclo até encontrar a melhor solução.

A análise do histórico desses projetos deve ser utilizada para o planejamento de novas execuções, onde podem ser verificados resultados positivos e negativos, como redução de acidentes de trânsito, redução de congestionamentos, aumento da satisfação da população, redução da poluição do ar e da água, entre outros.

5 – Conservação

Finalmente chegamos no ponto que é fundamental para otimizar a infraestrutura urbana, a conservação. Toda a gestão de investimentos, recursos e dados é inútil se não conservarmos o que vai bem.

O custo de conservação de uma rodovia por 20 anos é metade do custo de reestruturação da mesma [3]. Isso significa que um dos melhores investimentos que pode ser feito é sempre manter o que já existe em boas condições.

Para minimizar os custos de conservação você deve estar muito atento às coletas de dados. A melhor forma de acompanhá-los é utilizando, ou desenvolvendo, sistemas que facilitem a visualização e organização. Cada defeito, programação de obra, e reparo deve ser armazenado e isso serve como demonstração de gastos para quem paga por essa infraestrutura.

As áreas são muito grandes para serem monitoradas, logo mapas vivos facilitam muito o planejamento de ações estratégicas. As equipes de campo devem estar munidas de ferramentas de para acompanhamento dos reparos em tempo real, a fim de eliminar a repetição de processos. As equipes devem estar integradas e seguirem programações diárias, semanais e mensais, sabendo exatamente onde irão chegar. Os gestores devem pensar e bolar estratégias, e não preencher planilhas de Excel.

Isso cria um processo muito bem definido, com entrada de informação, análise de dados, planejamento, execução acompanhada e retorno, aumentando a produtividade das equipes absurdamente.

Conclusão

Esse artigo abordou as principais dificuldades das empresas e organizações que realizam o planejamento, a execução e conservação da infraestrutura brasileira. Um resumo para ter sucesso em sua gestão é: colete e armazene dados de diversas fontes rapidamente; crie modelos matemáticos para tomar decisões e faça planejamentos; pense em ações de baixo custo que impactem no dia a dia das pessoas; armazene dados históricos ao máximo e use-os para decisões futuras; conserve a infraestrutura já construída.

Se quiserem conhecer mais sobre as ferramentas abordadas nesse artigo, estou a disposição para conversar.

Referências

  1. Resultados de testes com os sistemas da Kartado (www.kartado.com.br)
  2. Waze CCP Summit 2018 Day 1 time 00:58:00 (https://goo.gl/yC5ri6)
  3. Análise de contratos de obras públicas (https://goo.gl/a3ViuP)

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